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O povo paga e reza.

por alho_politicamente_incorreto, em 17.03.16

Tropecei num destes dias no retrato oficial do presidente Aníbal Cavaco Silva, da autoria de Carlos Barahona Possollo, agora exposto no Museu da Presidência da República. De pé, repousa a mão esquerda em formas encadernadas da Constituição da República Portuguesa (CRP), de "A riqueza das nações", de Adam Smith e de outras duas obras assinalavelmente espessas. Na mão direita, o presidente ostenta ainda uma caneta de tinta permanente. Um retrato que, afinal, ilustrará fielmente um legado pejado de forçadas e, por isso, frágeis convicções, mais vocacionado para o formalismo estéril de uma interpretação redutora de tão relevantes poderes. Enredado em insanáveis contradições, onde o instituto da palavra raramente serviu para mobilizar o melhor da nação, o anterior presidente espraia-se na derradeira ironia de refugiar-se simbolicamente, à sua esquerda, num exemplar da CRP, que – como Primeiro-Ministro e PR – tão abundantemente fragilizou.

 

Reconhecido seja, pela sua sapiência e argúcia, Eça de Queiroz que, em 1872, já alvitrava: «O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam (…) e padres que rezam contra ele. (…) Pagam tudo, pagam para tudo. E como recompensa dão-lhe uma farsa.»

 

Entretanto, o novo PR, Marcelo Rebelo de Sousa, escolheu três das principais figuras da hierarquia no Palácio de Belém, que passou a ocupar desde o passado dia de 9 de março. Frutuoso de Melo é o chefe da Casa Civil, o tenente-general João Luís Ramirez de Carvalho Cordeiro é o chefe da Casa Militar e José Augusto Duarte é o assessor diplomático. Aplaudo, pela sua competência e idoneidade, a seleção de Fernando Frutuoso de Melo, até há pouco o diretor-geral da Cooperação e Desenvolvimento da Comissão Europeia.

 

Tiago Brandão Rodrigues, o novo Ministro da Educação, apesar de algumas resistências com motivações vincadamente partidárias, ousou dar sinais muito positivos sobre as correções e aperfeiçoamentos que urge viabilizar na Escola Pública. No entanto, o tempo vai passando e as boas expectativas criadas vão dando lugar a alguma apreensão por não se ver medidas concretas que cumpram as intenções entretanto assumidas. Resta pagar para ver ou, numa versão mais ecuménica, “rezar para ter”.

Depois dos sinais, faltam as medidas. É certo que o novo titular da pasta da Educação cedo percebeu que, para já, não poderá contar com a total disponibilidade do Conselho das Escolas (CE), órgão constituído por diretores, e do atual Conselho Nacional de Educação, ostensivamente colados à atuação e às prioridades de Nuno Crato. Ainda assim, ter-se-ia por incontroverso iniciar o processo tendente à reformulação (ou mesmo revogação) das metas curriculares e dos programas, mormente no 1.º Ciclo, a antecâmara preferencial para todos os funestos experimentalismos levados a cabo na última década. Complementarmente, não se percebe por que razão ainda não foram desencadeadas iniciativas (mensuráveis) visando o combate à insana carga burocrática imposta aos professores ou os necessários processos legislativos que favoreçam a recuperação dos níveis de democraticidade nas nossas escolas.

 

Visando a melhoria das condições de circulação e trânsito, que favoreça a orientação de condutores e peões, a edilidade colocou 15 novos conjuntos de sinalética no centro da cidade, num investimento que superou os 18 mil euros. Feita esta a intervenção inicial, estima-se que a ação se estenda às freguesias. Saúda-se esta aposta da autarquia porquanto garante localização exata de escolas, equipamentos municipais e de outros serviços de interesse público, promovendo a atividade ou o negócio, sem afetação paisagística passível de reparo.

 

Neste mês de março, comemora-se o 5.º aniversário do polo de Albergaria-a-Velha do Centro Municipal de Marcha e Corrida(CMMC). O calendário das caminhadas e trails contemplará um passeio por mês em cada uma das freguesias. Destaque ainda para o facto de, aproveitando mais uma edição do Festival Pão de Portugal, em junho, estar previsto o “Trail Rota dos Moinhos” com o propósito de promover e divulgar o património molinológico do concelho.

Depois de, em fevereiro, o Albergue de Peregrinos Rainha D. Teresa ter acolhido o primeiro Curso para Hospitaleiros Voluntários realizado em Portugal, chegou, no passado dia 1, o momento de reabrir oficialmente as suas portas. Sublinha-se o alcance desta aposta em função até da posição geográfica do Concelho a caminho de importantes peregrinações como Fátima e Santiago de Compostela. 

José Manuel Alho

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Desta feita, estarei como elemento do Júri.

por alho_politicamente_incorreto, em 11.03.16

Cartaz.jpg

 

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Da fidelização à freira espanhola

por alho_politicamente_incorreto, em 07.03.16

Por José Manuel Alho

Cheias. Conforme o noticiado, a subida do caudal dos rios Vouga e Caima forçou o corte de numerosas estradas - a 230-2, desde a Cambeia até Frossos, e desde Frossos até Loure, e a 577, que une Alquerubim à Fontinha. Angeja e Valmaior também viram os seus acessos interditados, num fim de semana que ainda assim não isolou qualquer localidade albergariense. Entretanto, e porque importa agilizar os mecanismos de reparação e de compensação, o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), Ribau Esteves, já garantiu que, em breve, deverá estar concluído o levantamento dos prejuízos das últimas cheias no baixo Vouga. Que assim seja.

 

Prevenção. Em face das alterações climatéricas, urge prevenir cheias e minimizar os estragos por elas provocadas. Daí que se imponha a conceção de um sistema verdadeiramente eficaz de regulação dos caudais dos rios através das barragens e um seguimento mais rigoroso dos estados de tempo, assente numa estreita colaboração entre entidades reguladoras, comandos dos bombeiros e institutos meteorológicos. A essa preocupação deve acrescer a reflorestação de áreas onde exista maior risco de arrastamento de sedimentos, usualmente negligenciada.

 

Fidelização. Soube-se agora que Cineteatro Alba (CTA) registou uma taxa de ocupação média de 72,5% em 2015. Em rigor, trata-se de uma subida (5,3%) em relação a 2014, ainda que tenham sido organizados menos 14 eventos. Contudo, destaque para o facto de o número de espectadores ter aumentado. Com o CTA, criou-se uma nova centralidade cultural que tem vindo a fidelizar o seu público. Não deixa de ser impressionante que, desde a sua reabertura, quase 90 mil pessoas tenham passado por uma das boas heranças do anterior executivo camarário.

(...) o arrojo de Assunção Esteves que, não vendo ninguém capaz neste país, se viu obrigada a recorrer a uma freira espanhola para pintar o seu retrato oficial. Isabel Guerra, também conhecida como “a freira pintora” ou “a pintora da luz”, foi lesta a dar um valor à encomenda: 15 mil euros. Quem paga? O Orçamento da Assembleia da República ou, numa tradução mais desempoeirada, o Zé Povinho.

 

Hospitaleiros voluntários. A Associação de Peregrinos Via Lusitana e a Federación Española de Asociaciones de Amigos del Camino de Santiago, em articulação com a Câmara Municipal de Albergaria, promoveram, no Albergue Rainha D. Teresa, a primeira edição do Curso para Hospitaleiros Voluntários em Portugal. Uma iniciativa que inova pelo seu conteúdo e alcance na medida em que envolve antigos peregrinos, que aceitam dedicar parte considerável do seu tempo a atender - de forma voluntária e gratuita – todos quantos pernoitam nos albergues.

 

Aturdido me confesso. O atual líder da oposição, Pedro Passos Coelho, num rasgo de vigoroso patriotismo, revelou-se incomodado com a possibilidade de investidores chineses entrarem no capital da TAP ao ponto de afirmar «não sabemos de que maneira é que o interesse público está definido e defendido.» Tudo estaria bem não fosse o caso de o anterior Primeiro-Ministro (PM) ter, entre 2011 e 2015, consentido que a empresa pública chinesa China Three Gorges se tenha tornado o maior acionista da EDP; que a chinesa State Grid, com 25% das ações, tenha assumido o estatuto de maior acionista da REN – Rede Elétrica Nacional; que o grupo chinês Fosun tenha comprado a Fidelidade e a ‘BES Saúde’, hoje chamada ‘Luz Saúde’ e que o grupo chinês Haitong tenha adquirido o BESI. Mais grave, o atual líder da oposição e o anterior PM são uma e a mesma pessoa!

 

Ou, se calhar, como bem profetizou Albert Camus, «Chega sempre um momento na história em que quem se atreve a dizer que dois e dois são quatro é condenado à morte. A estupidez insiste sempre».

 

Discordo de Miguel Real, pseudónimo literário de Luís Martins, quando, num texto publicado há coisa de um ano no PÚBLICO, concluía que «Portugal desenvolveu um imenso sentimento de medo em relação ao futuro (…). Uma insegurança terrível quanto ao futuro. E deixou de sonhar, de criar utopias, o que é absolutamente necessário para nos orientar a longo prazo na política.» O sonho, a segurança e a capacidade de orientação não se perderam. Pelo menos, em alguns. Recordo, por isso, o arrojo de Assunção Esteves que, não vendo ninguém capaz neste país, se viu obrigada a recorrer a uma freira espanhola para pintar o seu retrato oficial. Isabel Guerra, também conhecida como “a freira pintora” ou “a pintora da luz”, foi lesta a dar um valor à encomenda: 15 mil euros. Quem paga? O Orçamento da Assembleia da República ou, numa tradução mais desempoeirada, o Zé Povinho. “La gente canta con ardor, que viva España / La vida tiene otro color, España es la mejor».

José Manuel Alho

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